Berlim e as Melhores Cervejas artesanais da Alemanha!

Berlim

Berlim o paraíso das cervejas artesanais

Berlim virou um dos destinos favoritos dos brasileiros na Europa e aqui pelo blog recebo várias mensagens de gente pedindo dicas. Então, hoje, vou dar a dica mais preciosa de todas: um roteiro de cervejas e cervejarias que não está nos guias turísticos. Apesar disso, acerveja não seja a bebida mais consumida na Alemanha! 

Claro que a Alemanha é sinônimo de cerveja, mas visitar Berlim pode ser a chance de fazer um mergulho no que o país tem de melhor. Apesar da fama cervejeira ser da Francônia –  região que abrange o Norte da Baviera, o Sul da Turíngia e um pedacinho de Baden-Württemberg – Berlim tem reunido o melhor fora do eixo industrial. Por aqui, dezenas de microcervejarias têm encontrado mercado para os seus produtos e o número de fãs só cresce.

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A dica para uma visita a cidade é fugir das cervejarias mais tradicionais e de rótulos conhecidos do mercado. Apesar dos preços salgados, cervejas da Paulaner e  Höfbrau, por exemplo, que tem casas na capital alemã, podem ser encontradas facilmente no Brasil. E nem de longe estão entre as minhas favoritas, confesso. O melhor é aproveitar o passeio para dividir a agenda entre a história e um roteiro de cervejarias artesanais. Vale lembrar que Berlim é uma cidade em ebulição e que se transforma a cada dia: por isso não espere cenários de castelos ou ruas calmas de janelas floridas e casinhas enxaimel. Se os passeios de dia se concentram no Centro, a noite pede rotas mais afastadas (porém seguras!) por bairros jovens e alternativos.

Heiden Peters é atualmente a minha cervejaria favorita

Uma boa forma de começar a explorar o universo cervejeiro de Berlim é pela Heiden Peters, escondidinha no fim do Markt Halle Neun, aquele onde levei a rainha da Oktoberfest, no badalado bairro de Kreuzberg, reduto hipster da cidade. A cervejaria funciona em um dos mais tradicionais mercados de Berlim e por isso só abre em alguns dias da semana: é preciso conferir os horários no site. O melhor dia para curtir é quinta-feira, já que o mercado abre até as 22:00 para um festival de comidas de rua. Assim, fica fácil encontrar o melhor de Berlim em um endereço só: cerveja artesanal e comida do mundo inteiro. Comece pela saborosa amber ale Thirsty Lady, mas use a desculpa de que os copos são pequenos e prove uma de cada.

Outro mercado similar, mas para quem prefere um pouco mais de calmaria, é oArminiusmarkthalle na região do Moabit, um bairro tradicionalmente de operários, colado no centro, mas que por abrigar muitos prédios do governo tem ganhado destaque. Nesse mercado procure por uma mesa grande, muito grande: literalmente, a mãe de todas as mesas, como foi batizada e sente por perto. Peça o carrossel de degustação, com cinco cervejas locais (100 ml cada) por 5 Euros: uma preciosidade. Não deixe de provar a Berliner Weisse, que é uma cerveja de trigo levinha, com apenas 3% de álcool e de paladar bem azedo por conta da levedura de ácido lático e pouco convencional: mas nada de xaropes coloridos como muita gente gosta de beber. O negócio é saborear a Weisse in natura. Além disso, tenha certeza de que as saborosas Kreuzberger Tag und Nacht estejam entre as amostras.

Não deixe de provar o carroucel no Arminiusmarkthalle

Quem quer conhecer porque Berlim atrai gente do mundo todo e se tornou a nova capital criativa do mundo, precisa visitar o bairro de Friedrichsheim a noite e mergulhar no lado que ficava fora do muro, cheio de reminiscências dos anos de comunismo. Vá direto a Hops & Barley e comece pela especial da noite: não tem como errar. A pilsen da casa também é honesta e bem equilibrada. Chegue cedo para pegar mesa ou vá mais tarde, quando as ruas já estão apinhadas de gente e beba em pé, do lado de fora, apreciando o vaivém.

Quem quer provar o sabor da cidade mas não planeja uma experiência tão alternativa, não precisa abrir mão da boa cerveja. No Centro, a Cervejaria Lemkeoferece uma tábua de degustação bem interessante. São seis cervejas (100 ml) por 8 Euros. O salgado são as especiais feitas pela própria casa: 12 a 15 Euros, um preço bem maior que a média da cidade, onde se paga de 3 a 5 Euros por meio litro. As mais tradicionais custam menos, mas não tem muita personalidade. São duas unidades da Lemke na cidade: uma junto ao castelo de Charlotemburg, o Versailes alemão, e outra (a mais charmosa!) sob os trilhos do trem na região do Hackescher Markt. O local costuma estar lotado de turistas, mas aceita reservas.

A apresentação é caprichada, o preço da degustação é ok, mas para beber mais fica salgado

Mas nenhum roteiro de cerveja em Berlim está completo se deixar de fora a menos alemã de todas as cervejarias. A Vagabund é o point hipster das cervejas artesanais e se tornou um daqueles lugares obrigatórios, frequentado por berlinenses do mundo todo. A cervejaria foi fundada por três americanos cansados da mesmice das marcas comerciais da cidade. A ideia se tornou realidade por financiamento coletivo (crowdfunding) e hoje em dia o espaço é pequeno demais para tantos fãs. Por isso, evite os fins de semana, onde é até difícil chegar perto do balcão. Durante a semana, com sorte, se acha espaço em uma das cinco mesas da casa. O local é junto da cozinha onde as cervejas são feitas (pode espiar). Além das taps próprias e de outras cervejarias artesanais da Alemanha, o cardápio de cerveja tem ao menos uma centena de marcas, todas classificadas por tipo e sabor.

A lista de cervejarias de Berlim vai longe: Südstern, Wanke, Pfefferbräu são outras opções que não fazem feio. Ao contrário: a Pfefferbräu tem um biergarten fabuloso! Ja na Eschenbräu, que tem o logo mais feio do universo, durante o verão, também há um Biergarten. O divertido é que você pode levar a própria comida, se quiser, e pedir uma das cervejas da casa, sempre bem encorpadas. A cada mês a cervejaria tem uma especial e se chegar em Berlim bem na época da Black Mamba, não perca. Aliás, se não souber ainda quando marcar a visita a cidade, espie o calendário de eventos de craft bier e coincida a agenda com algum deles. O festival, Braufest Berlin, com centenas de cervejas artesanais de toda a Europa, é o principal (e mais saboroso) de todos.

O logo é feio, mas a cerveja é boa

Há ainda na cidade dezenas de bares descolados que não fazem sua própria cerveja mas tem uma seleção preciosa de marcas na torneira. Para quem gosta de rock, o Monterey, em Prenzlauer Berg, é parada obrigatória, incluindo em sua carta uma série de rótulos temáticos. Quer beber a cerveja do Iron Maiden ouvindo rock? Esse é o lugar. Só um aviso: o bar é de fumantes, mas dá para escapar da fumaça nas mesas do lado de fora no verão. Na mesma linha, com menos cigarro e menos rock, há ainda o Hopfenreich, em Kreuzberg: eles oferecem a melhor coleção de artesanais no barril da cidade e tem no mínimo uma dúzia de opções diferentes.

Se depois de todo esse roteiro der vontade de levar um pouco da Alemanha para casa, esqueça os imãs de geladeira e as camisetas sempre iguais. Vá a um bom Getränkemarkt (mercados especializados em bebidas). Os supermercados maiores (Edeka, Real, Kaufland, Rewe) costumam ter uma boa oferta de cervejas, mas os mercados especializados selecionam seus estoques com mais carinho. Pode ser qualquer um: as estantes são como a Disneylândia dos cervejeiros e com preços bem alemães. Boas marcas a partir de 65 centavos de Euro a garrafa de meio litro. A rede de lojas de bebidas Hoffmann é um bom ponto de partida.

Se sobrar espaço na mala, se renda aos rótulos do mundo. Berlim tem várias lojas especializadas em cerveja e cada um elege sua favorita. Elas reúnem aquelas preciosidades, cervejas artesanais e mesmo raridades. As cervejas não custam tanto quanto em um bar, mas os preços começam nos 3 Euros, geralmente. Uma boa opção é a Berlin Bier Shop que tem uma carta que não faz feio (apesar do site não fazer jus a loja!). Se tiver tempo, não deixe de fazer uma visita a Hopfen & Malz no bairro Weeding (que se lê Vêding!), um dos redutos de imigrantes turcos com mais comidas deliciosas por metro quadrado em Berlim. Só não perca tempo tentando encontrar um joelho de porco: isso é coisa da Baviera e em Berlim ninguém usa esse tipo de calças de couro. Da moda às cervejas, a cidade vive de originalidade.

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