Beber em Jejum! Entenda como o seu corpo responde a isso

beber em jejum

Entenda como seu corpo funciona ao Beber em Jejum

Beber em Jejum! Como todos sabem nós do BN adoramos publicar matérias sobre boa bebida, boa comida e curiosidades, porém também gostamos muito de sempre deixar claro que tudo deve ser feito com moderação e respeitando alguns preceitos de nosso corpo. 

Esta semana recebemos algumas perguntas sobre beber em jejum então pesquisamos e encontramos uma matéria muito interessante publicada pelo jornal El País onde nos baseamos para este artigo.

Beber em Jejum

consumo de álcool não é igual para todos. A forma de beber influi, e muito: se o álcool é tomado em jejum, chega antes à corrente sanguínea e precipita seus efeitos, que podem atingir o clímax entre 30 minutos e 2 horas depois do consumo, segundo a empresa de consultoria Forcon, especialista em toxicologia. Em vez disso, quando se bebe depois de ter se alimentado, os efeitos secundários do álcool se minimizam. Considera-se que o estômago “está vazio” quando se passaram entre 2 e 4 horas da última ingestão.

É o que demonstra um estudo feito por pesquisadores do Hospital Universitário de Linköping, na Suécia, e publicado no Journal of Forensic Sciences [Revista de Ciências Forenses].

“A maior parte do álcool é absorvida pelo intestino delgado, para onde passa rapidamente quando ingerido de estômago vazio, provocando um pico elevado de concentração no sangue. Mas se, ao contrário, bebe-se com o estômago cheio, o álcool é absorvido lentamente porque o esvaziamento gástrico demora mais e o pico de concentração no sangue é mais moderado, tornando-se menos tóxico para o organismo”, explica Xavier Parés Casasampera, professor de Bioquímica e Biologia Molecular da Universidade Autônoma de Barcelona.

A ingestão de bebidas deve ser acompanhada com alimentos. E com algo mais, como o teor alcoólico das taças, já que as bebidas destiladas (como genebra, vodca ou rum) produzem um pico mais agudo do que as bebidas fermentadas (como a cerveja e o vinho), segundo um estudo recente divulgado na publicação acadêmica Wiley Periodicals. Francisco Camarelles, membro da Sociedade Espanhola de Medicina de Família e Comunitária (Semfyc), acrescenta um inconveniente a mais a beber em jejum: “Se o teor alcoólico da bebida for alto, pode irritar [ainda mais] a mucosa gástrica”. A gastrite ou inflamação das paredes do estômago é um problema causado pela ingestão excessiva de álcool e costuma provocar doenças, náuseas e vômitos.

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Nada é o que parece

Os especialistas ouvidos concordam que ao ingerir bebidas alcoólicas com o estômago vazio são obtidos efeitos secundários mais rápidos e intensos. O médico Francisco Pascula, vice-presidente da Socidrogalcohol (Sociedade Científica Espanhola de Estudos sobre o Álcool, o Alcoolismo e outras Toxicodependências), os enumera: calor, desinibição, alteração dos reflexos, enjoo, fala rápida e distorcida e descoordenação de movimentos.

“Aparecem muito rapidamente e são muito intensos porque os níveis de alcoolemia (álcool no sangue) são atingidos com grande velocidade. E nos jovens são ainda mais pronunciados, pois sua tolerância ao álcool é mais baixa do que a das pessoas adultas, acostumadas a beber de forma regular, mesmo que moderadamente”, reafirma.

Mas o que se sente quando se bebe com o estômago vazio? Primeiro, uma sensação de calor transbordante. Mesmo que a temperatura ambiente esteja fria, você não vai sentir. O álcool produz uma vasodilatação periférica que leva o sangue às regiões mais distantes do corpo, ao mesmo tempo em que diminui a irrigação dos órgãos externos, por isso se percebe o calor na pele. “Mas, no fundo, ainda que se sinta calor, o que acontece na realidade é perda de temperatura, porque, ao levar o sangue às regiões periféricas, o calor corporal escapa para o exterior. Por isso, nos casos de coma alcoólico, um dos riscos é a hipotermia”, adverte Antoni Gual, psiquiatra e chefe da Unidade de Condutas Aditivas do Hospital Clinic, em Barcelona. Essa falsa sensação de calor aumenta o risco de congelamento em climas extremos (abaixo de 0 °C).

Quando chega ao cérebro, o álcool afeta em primeiro lugar o córtex cerebral, a região que regula os pensamentos e a memória; por isso você se sentirá desinibido e começará a falar rapidamente.

“É o que as pessoas consideram euforia, embora na realidade o álcool atue como depressor. O efeito de desinibição aparece quando são tomadas uma ou duas taças, mas, se mais taças forem bebidas, outra região é deprimida, o cérebro límbico, produzindo torpor, sonolência e alterações na coordenação psicomotora. E, se a pessoa continua a beber, também se deprime a região do cérebro que controla os órgãos, e aparece o coma alcoólico”, descreve Gual.

Para consertar todo esse estrago, o fígado conta com um batalhão de enzimas (álcool desidrogenases) que oxidam o álcool e convertem-no em acetaldeído, um composto que volta a ser oxidado por outras enzimas (aldeído desidrogenases) até transformá-lo em acetato, uma substância não tóxica que é eliminada principalmente pela urina. “Esse composto é distribuído pelo organismo, que o utiliza também como fonte de energia. Por isso as pessoas que bebem habitualmente não costumam ter muito apetite”, esclarece Xavier Parés. De todo modo, comer já não adianta, como explica Francisco Pascula, que não considera a ingestão de alimentos como um acelerador da expulsão de tóxicos. “O fígado metaboliza o álcool num ritmo constante de 0,1 grama por litro de sangue. Por exemplo, o álcool contido em duas cervejas pode demorar 3 ou 4 horas para ser eliminado completamente do organismo”, afirma. “Mas comer um filé antes de beber é uma boa ideia, já que as gorduras atrasarão a absorção do álcool”, conclui Moisés Robledo, médico de família e secretário da informação da Sociedade Espanhola de Clínicos Gerais e de Família (SEMG).

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